sexta-feira, 20 de abril de 2018

Entrevista com o psicólogo Bruno Kluwe sobre DEPRESSÃO



Psicólogo, especialista em Terapias Cognitivo-Comportamentais (PUCRS); mestre em Psicologia - Cognição Humana (PUCRS); doutorando em Psicologia (Universidade de Zurique).

1. A que você atribui o crescimento de casos de depressão?
A depressão é uma doença do cérebro. Ela tem uma causa orgânica. Provavelmente o aumento se dá pela pressão social, seja no trabalho, na cobrança por melhores desempenhos, no aumento e acúmulo de tarefas, na questão do enfraquecimento dos vínculos sociais; o indivíduo acaba usando o espaço da internet para desabafar para duas ou três pessoas, em vez de procurar alguém perto, alguém que realmente possa fazer alguma coisa como, por exemplo, encaminhar para uma ajuda.
Contudo, além da pressão social, da exigência por desempenhos excelentes o tempo todo, o que também contribui para a maior incidência de transtornos depressivos é a diminuição do estigma social relacionado a doença e maior conhecimento geral. Por exemplo, hoje as pessoas já não têm tanto preconceito como há alguns anos e entendem a depressão como um transtorno psiquiátrico real, isso faz com que mais pessoas procurem ajuda e, consequentemente, registram-se, assim, mais casos.

2. Como o indivíduo pode identificar se realmente está vivendo um processo de depressão ou só um período de tristeza?
De modo geral, a depressão é uma tristeza exacerbada e prolongada. O transtorno depressivo é uma permanência dessa tristeza por um período maior que duas ou três semanas. Além disso, essa doença apresenta também outros sintomas como cansaço, distúrbios de sono, distúrbios alimentares, perda de perceptiva futura, não conseguir ver sentido no que se está fazendo. O transtorno depressivo pode ser ainda leve, moderado e severo. Atualmente o diagnóstico é feito 100% com base nos sintomas citados acima e uma detalhada entrevista com um psicólogo ou psiquiatra. Infelizmente ainda não temos o conhecimento e a tecnologia necessária para identificar a doença com base em exames de sangue, por exemplo, embora estejamos quase lá.

3. Vocês, psicólogos, não podem receitar medicamentos; em que momento vocês acham que o paciente precisa ser encaminhado a um outro profissional? Como identificar os casos de depressão que são preocupantes, como desencadeadoras de suicídio?
Todos casos são preocupantes, pois se trata de um transtorno psiquiátrico. Entretanto não existe um critério claro e que define quando um paciente deve tomar medicação. Porém, existem níveis de depressão. Uma pessoa que apresenta um episódio depressivo pela primeira vez, tem uma boa rede de apoio, está acostumada a fazer atividades diversas e não apresenta tantos sintomas, pode ser considerada como uma depressão leve. Se essa pessoa procurar ajuda de um psicólogo e estiver motivada para o tratamento, pode superar a doença sem medicação. Porém se uma pessoa apresenta episódios recorrentes de depressão ou ideação suicida, ou a doença causa tantos prejuízos sociais, por exemplo, problemas no trabalho, então uma avaliação psiquiátrica é necessária. O tratamento mais eficaz contra o transtorno depressivo é a psicoterapia associada a medicação. A medicação ajuda a equilibrar e manter o humor, enquanto uma boa psicoterapia pode ajudar a pessoa a identificar pensamentos, emoções e comportamentos que mantém ela nesse estado, e assim criar estratégias para superá-los.

4. Existe uma faixa etária que seja mais suscetível à depressão, e a que você atribui isso?

Segundo o DSM.5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a depressão tende a ser cada vez mais precoce, como dito antes, pelos fatores de pressão social, o aumento do acúmulo de tarefas em jovens na escola, faculdade. Além disso, alguns estudos apontam que as mulheres têm 2 vezes mais chance de apresentar o transtorno, porém, mais uma vez é preciso ter cuidado, pois geralmente mulheres tendem a fazer exames médicos com mais frequência e o estigma social para procurar ajuda é menor, levando a maior frequência de registros em mulheres. Homens tendem a ter vergonha de procurar ajuda ou conversar com alguém, atribuindo a tristeza ou raiva a fatores externos.

5. Poderia fazer uma relação entre processo de depressão e o tema da sua pesquisa de doutorado?
Atualmente estudo a relação entre uso de substâncias, tomada de decisão, e respostas ao estresse. Basicamente, estou buscando entender se a forma como o organismo reage ao estresse pode influenciar a capacidade dessa pessoa tomar decisões e se o fato de usar cocaína está associado a uma pior resposta ao estresse e consequentemente uma pior tomada de decisão. Embora não estude diretamente transtorno depressivo, o que se sabe e se observa com frequência é que, em geral, o uso de substâncias é visto como uma saída para aquele momento de ansiedade ou tristeza. Desde o início das minhas pesquisas, 90% dos entrevistados já tiveram algum caso anterior de distúrbio depressivo antes de procurar o uso de substâncias.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A história da Maybelline contada em forma de ensaio fotográfico




História. Taí algo que eu gosto, junto com livros, filmes, moda e beleza. Quando no caso é a história contada de uma dessas coisas que fazem parte de mim já eu acho irresistível e impressionante. Me maravilho lendo como tudo começou e a parte mais interessante da moda pra mim é isso: a evolução, como era antes com vestidos e chapéus e como hoje em dia o que tá na moda é short rasgado.

Quer dizer, como foi que tudo mudou? A moda na verdade reflete o comportamento das mulheres da época e talvez também seja por isso que eu seja tão apaixonada pelas décadas de 20, 30, 40, 50 e 60 (e os filmes das respectivas décadas), quando aconteceu a "revolução" comportamental e de vestuário das mulheres. Com a maquiagem é exatamente a mesma coisa! De um modo mais sutil que a moda, mas a maquiagem também representa como eram as mulheres de tal época e como elas pensavam e agiam. Porque, como dizem, batom vermelho é para quem pode, e por aí vai. Vocês sabiam que na era vitoriana, século XIX, época dos vestidões e dos cavalheiros, o padrão de beleza era um rosto sem cor, pálido, pele de porcelana (isso para as rycas se diferenciarem das camponesas que tinha o rosto queimado do sol de trabalhar)? E hoje em dia é todo mundo usando blush líquido, em pó, em creme, em mousse, em bastão para ter carinha de saudável (fora a grande quantidade de bronzer)!

Essas coisas são incríveis de prestar atenção e mais incrível ainda é pensar "como surgiu esse produto que faz eu me sentir tão mais bonita e é simplesmente mágico?" e então voltamos ao século passado e vemos marcas que já estão fazendo décadas e décadas de trabalho pesado em deixar as mulheres mais bonitas. E é aí que entra a Maybelline que esse ano completa 100 anos da criação da marca e nessas horas nós olhamos para a nossa penteadeira e para o nosso The Colossal Volum Express amarelinho maravilhoso e milagroso e pensamos: como aconteceu? Sim, foi 100 anos atrás. E aos que tem dúvidas (eu pesquisei): a marca que criou a máscara para cílios ou rímel foi a queridíssima nossa chamada Maybelline mesmo. Sim, a invenção foi por parte do irmão de uma moça chamada Maybell que resolveu que queria um rímel, em 1914. Que moça à frente de sua época, gente.

  


Eu pretendo me estender e escrever milhares de posts sobre a história da moda, a história da maquiagem, as mulheres do século passado e principalmente o now and then de tudo isso. Mas agora preciso focar no assunto do post que é o aniversário de 100 anos da Maybelline e para isso, o Calendário desse ano (todo ano a Maybelline faz um calendário com modelos lindas e ensaios fotográficos maravilhosos) foi temático em homenagem ao centenário. Fotos de Kenneth Willardt e Keate e maquiagem de Charlotte Willer.

Cada mês no calendário (as fotos estão na ordem dos meses) é uma época que de certa forma marcou a marca. Janeiro é o que representa a criação da marca e até julho o calendário mostra todos os momentos importantes como por exemplo a criação da Great Lash e a criação da sombra da marca (o interessante é que ela aconteceu na década de 30 exatamente quando aconteceu a Grande Depressão ou Crise de 29 e nessa época a sombra que custava um dólar era um jeito barato das mulheres se arrumarem) até os anos 2000 que começa de agosto em diante com a criação da Dream Matte Mousse, do BB Cream e da Collor Tattoo.





Achei o ensaio fotográfico maravilhoso (sou extremamente suspeita já que A-M-O ensaios que remetem às decadas antigas e eles são sempre de uma super produção que é uma lindeza olhar) e todos os detalhes foram caprichados, adorei mesmo as fotos e a Maybelline mostra com isso que não é apenas uma "marca de farmácia" e sim uma marca de maquiagem que deixou e continua deixando seu legado. E certeza que não existe legado maior que o melhor rímel do mundo (eu particularmente amo, claro que nunca experimentei o Diorshow e tal, mas por 30 reais com certeza esse é o melhor que existe) e o primeiro também!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Os maiores musicais de todos os tempos segundo a American Film Institute


Me diga, quem não ama um musical? Alguns podem ser o cúmulo do clichê e talvez até meio bregas mas no fim todo mundo se entrega aos encantos daquelas cenas onde simplesmente do nada o protagonista resolve cantar uma música e aparece um monte de gente do nada para dançar junto. Eles marcam, eles mudam a cara de um filme, eles também dão Oscares a alguns filmes (isso era BEM mais comum antigamente, porque além de não serem feitos muitos musicais hoje em dia, a maioria não é digna de um oscar e filmes bem melhores acabam ganhando) e eles fazem os filmes serem lembrados depois de anos.

Afinal, quem, me diga, QUEM não conhece a cena de Cantando na Chuva (Singin' In The Rain) em que o cara (o cara esse chama-se Gene Kelly) de fato dança na chuva cantando uma música que diz que ele está dançando na chuva. E só pra avisar que apesar de o nome do filme ser esse, a história não tem nada a ver com o título e vai muito além de dançar na chuva apenas.

Então, acabei de contar qual era o primeiro lugar da lista porque é ÓBVIO que a American Film Institute que é super renomada ia colocar o clássico dos clássicos dos musicais. E não tem como falar de musical sem falar de Singin' In The Rain. O filme realmente merece a fama e o prestígio que tem e apesar de ter sido indicado e não ter ganhado o Oscar, é muito mais lembrado do que o que ganhou aquele ano. Ah, como eu acho lindo isso em relação ao Oscar! Mas enfim, vou tentar não me prolongar muito hoje, vamos à lista:

1 SINGIN' IN THE RAIN (1952 - MGM)
2 WEST SIDE STORY (1961 - United Artists)
3 WIZARD OF OZ, THE (1939 - MGM)
4 SOUND OF MUSIC, THE (1965 - Twentieth Century-Fox)
5 CABARET (1972 - Allied Artists)
6 MARY POPPINS (1964 - Disney)
7 STAR IS BORN, A (1954 - Warner Bros.)
8 MY FAIR LADY (1964 - Warner Bros.)
9 AMERICAN IN PARIS, AN (1951 - MGM)
10 MEET ME IN ST. LOUIS (1944 - MGM)
11 KING AND I, THE (1956 - Twentieth Century-Fox)
12 CHICAGO (2002 - Miramax)
13 42ND STREET (1933 - Warner Bros.)
14 ALL THAT JAZZ (1979 - Twentieth Century-Fox)
15 TOP HAT (1935 - RKO)
16 FUNNY GIRL (1968 - Columbia)
17 BAND WAGON, THE (1953 - MGM)
18 YANKEE DOODLE DANDY (1942 - Warner Bros.)
19 ON THE TOWN (1949 - MGM)
20 GREASE (1978 - Paramount)
21 SEVEN BRIDES FOR SEVEN BROTHERS (1954 - MGM)
22 BEAUTY AND THE BEAST (1991 - Disney)
23 GUYS AND DOLLS (1955 - MGM)
24 SHOW BOAT (1936 - Universal)
25 MOULIN ROUGE! (2001 - Twentieth Century Fox)



Acho o Top 3 maravilhoso. Não poderia ser melhor, de verdade. Singin' In The Rain é o mais lembrado até hoje e mesmo que talvez alguns olhem o segundo lugar e não lembrem que filme é, ele fez um sucesso tremendo na época e é até hoje o queridinho do cinéfilos, ainda mais porque recebeu 10 Oscares e conseguiu mesclar uma história realista e chocante com músicas e números de dança incríveis. Realmente, Amor Sublime Amor (West Side Story) é uma obra de arte, me fez chorar muito com a cena do final e no outro dia não conseguir tirar uma das músicas da cabeça. De fato, merece os 10 Oscares que recebeu.

E, é claro, O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), que é aquele musical que todos lembram porque marcou MUITO a infância de cada um. "We're off to see the wizard, the wonderful wizard of Oz." Certeza que muitos lembram dessa música e da história tão linda e para crianças só que contada de uma forma que faz adultos adorarem (e até eu no auge da maioridade) e admirarem a mensagem por trás de tudo.



Outros pontos interessantes da lista acho que são por exemplo o fato de ter Chicago ali em décimo segundo lugar, em uma lista que todos esperam ver clássicos. Na verdade, o trio Chicago-Grease-Moulin Rouge apareceu, e todos lembram deles quando falamos de musicais. Outra curiosidade é aparecer A Bela e a Fera (Beauty and the Beast) ali, que é uma animação! Com certeza a Disney marcou a vida de muita gente e eu acho a história da Bela uma das melhores, e sim, ela é a princesa mais bonita. Um destaque para o meu filme preferido da lista: Minha Bela Dama (My Fair Lady) que tem como protagonista a linda maravilhosa diva Audrey Hepburn (sou fã, fã demais até, mais pra frente vocês vão notar isso porque ainda postarei muito sobre ela aqui) que canta uma das cenas mais fofas de musicais.

Acho interessante listas sobre filmes e sempre pesquisava várias. A American Film Institute tem várias e eu adoro escolher os filmes que vou ver por lá. Também pretendo fazer listas dos meus preferidos (vai demorar porque tá sempre mudando) e mostrar as outras da AFI. E para finalizar vou colocar um vídeo de cada filme do Top 3, das músicas que eu mais gosto.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

RESENHA: Por Isso A Gente Acabou de Daniel Handler


Feelings e mais feelings. Esse livro virou um dos meus preferidos por um simples motivo: ele fez eu sentir muito. Sentir várias coisas, uma quantidade enorme de emoções, desde o ódio até o amor. Na verdade, a gente estabelece uma relação de amor e ódio em relação ao Ed durante todo o livro, é exatamente assim. Quando o livro foi lançado foi um fervor em que TODO MUNDO queria ler ele, e quem lia falava muito bem. Eu também fiquei super na expectativa e quando finalmente consegui ler fiquei triste e feliz ao mesmo tempo. Mas de qualquer forma, tudo o que falaram do livro era verdade: ele é incrível, e o Daniel Handler é mais incrível ainda.

Acho que a parte mais interessante do livro é que a história é incrivelmente clichê, é aquela de uns mil filmes que já vimos e já sabemos o final. A menina ''das artes'' (é como o Ed chama) e com amigos estranhos e festas estranhas e gostos estranhos e apaixonada por cinema (me identifiquei! E amei tanto as referências de filmes antigos fictícias) conhece o atleta-popular-lindo-maravilhoso e extremamente desejado por todas as outras meninas da escola, ah, esse também é o cara que só fica com as loiras lindas, gostosas e fúteis. Tem tanto estereótipo que já conhecemos nesse livro que quando alguém pega e lê a sinopse na hora já desanima. Mas NÃO DESANIMEM! Acho que o Daniel Handler fez questão de escrever uma história clichê assim pra mostrar como o que realmente faz diferença é a narrativa, a construção dos personagens e a forma que a história é contada.

Então depois do término, a Min um dia resolve juntar todos os ''souvenirs'' do namoro deles e devolver pro Ed, junto com uma carta contando o porquê deles terem terminado. Cada objeto que ela guardou dá início a um novo capítulo contando a importância dele, e como ele foi importante na história dos dois. A trama do livro é simples, e alguns podem até achar ela simples demais e entediante, mas eu acho que a simplicidade fez o livro ganhar pontos nessa hora, foi uma das coisas que eu mais admirei no livro.

Nós já começamos a ler o livro sabendo que eles terminam (juro que se alguém me disser que to contando spoiler eu dou com uma frigideira na cabeça) mas isso não nos impede de torcer e torcer e torcer pra que a Min e o Ed fiquem juntos. Eu achei interessante que o livro contou vários momentos do namoro deles, e a grande maioria dos YAs contemporâneos sempre conta o ''como aconteceu'' e não realmente como é o relacionamento. A gente acompanha todos os momentos ruins e bons dos dois e o Daniel Handler vai nos mostrando a personalidade dos personagens de uma forma que nos identificamos demais com eles, nos apaixonamos pelo Ed e até gostamos da Min e torcemos pra que apesar de tudo ela não sofra. A história é muito triste, acho que isso vem do Daniel Handler, ou Lemony Snicket, o pseudônimo com que ele escreveu Desventuras em Série, que é tão triste quanto, como gosta de desgraça esse cara!

Acontece que o livro retrata uma situação tão comum e tão real que nós de fato entramos dentro da história e parece que tudo começa a acontecer com a gente. Por isso eu tive vários feelings, por isso eu amei e odiei o Ed e por isso eu terminei o livro indignada e querendo gritar com todo mundo e ao mesmo tempo sabendo que tinha sido um dos livros mais fantásticos que eu tinha lido. E acho que se o livro não tivesse feito eu sentir tantas coisas, eu odiar tanto tudo, eu não acharia ele tão bom. A capacidade de um autor de conseguir transmitir exatamente o que acontece na história e nos fazer sentir junto com os personagens é incrível, poucos conseguem. E sobre o final, eu já sabia que eles iam terminar, mas a forma que aconteceu me fez ter vontade de sair dando tabefe em todo mundo. Acima de tudo, o livro me surpreendeu e mostrou que não importa se é uma história que já foi contada vinte vezes, o que importa é como a gente se sente lendo ela. AI, É MUITO FEELING.